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20 |💫| O Doce Gosto da Dor

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  Drax acordou com um sobressalto, a respira??o pesada e a vis?o emba?ada. Tudo girava. Um zumbido leve vibrava em seus ouvidos, como se seu próprio cérebro tentasse reiniciar. Ele piscou várias vezes, mas a escurid?o ao redor n?o ajudava em nada.

  Tentou se mover, mas logo percebeu que um de seus bra?os estava amarrado a uma estrutura metálica. O outro, o bra?o robótico, simplesmente... n?o estava mais lá. O ombro exposto mostrava fios soltos e conex?es rompidas, com pequenas descargas elétricas ainda crepitando. Um leve trimilique sacudiu sua cabe?a, e uma faísca saiu próximo à têmpora. Ele balan?ou o rosto com for?a, e o sistema interno se estabilizou.

  Com a vis?o aos poucos se ajustando, Drax conseguiu observar melhor o ambiente ao seu redor. Estava em uma sala vazia — fria, metálica, e mal iluminada por lampadas bruxuleantes no teto. As paredes estavam cobertas por símbolos estranhos, uma mistura de circuitos desenhados à m?o e marcas esculpidas como se fossem feitas por alguém obcecado por simetria. O ar tinha cheiro de óleo velho e eletricidade estática.

  Ele tentou se lembrar... o que aconteceu? A última coisa que via era Koran à sua frente. E depois? Uma névoa. Um ataque repentino? Uma emboscada?

  Foi ent?o que, em um dos cantos daquela sala, alguém o observava, sentado numa cadeira. A figura se levantou.

  — Acordou, docinho?

  O som soou infantil, mas carregava algo artificial, desconfortável.

  Das sombras, surgiu uma figura pequena. Parecia uma garota... ou talvez um garoto. Sua estatura era baixa demais para um adulto. O rosto era parcialmente coberto por uma máscara translúcida, revelando apenas um olho ambar, brilhante como fogo artificial prestes a explodir.

  — O que foi, meu bem? N?o reconhece mais sua amada?

  Drax franziu o cenho, tentando ajustar a memória embaralhada. A voz... aquele jeito...

  — Soffy?

  A máscara se dissolveu em névoa, revelando um sorriso doce demais para ser inocente.

  — Olá, Drax...

  Naquele instante, sua mente foi tomada por memórias adormecidas.

  --- ?? ---

  Chovia fraco no terra?o de um prédio abandonado. Drax, ainda jovem, estava sentado ao lado de uma figura pequena que observava em silêncio o que restava da paisagem à sua frente: Soffy. Seus olhos brilhavam com curiosidade, e sua risada ecoava como uma melodia improvável naquele mundo cinzento.

  — Um dia, vamos voar juntos, bem longe de tudo isso, Drax — disse ela, olhando para o céu nublado.

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  — Você acha mesmo que a gente vai conseguir escapar?

  — Eu n?o quero escapar — respondeu Soffy, sorrindo de leve. — Eu quero voar... pra te proteger.

  Drax a encarou, confuso.

  — Você n?o é um erro, Soffy...

  Ele se aproximou um pouco mais, tocando suavemente o rosto dela com uma das m?os.

  — Você é especial. Especial pra mim.

  Soffy sorriu. E por um breve instante, o mundo pareceu ter cor.

  --- ?? ---

  Drax afastou o rosto ao vê-la se aproximar. O calor daquela lembran?a era doloroso demais.

  Soffy cruzou os bra?os, encarando-o bem de perto.

  — Eu esperei muito tempo por esse momento, você acredita? Quando eu soube que três sentinelas conseguiram entrar aqui na cidade, eu sabia que isso era coisa sua.

  — Três sentinelas?

  — N?o se fa?a de bobinho, Drax. Antes de você aparecer aqui, eu recebi uma mensagem de que um outro sentinela havia chegado. Infelizmente, eu n?o pude capturá-lo t?o facilmente quanto você.

  Ela se abaixa, sussurrando perto do rosto dele.

  — Foi fácil invadir o seu sistema e rastrear sua localiza??o. Você nunca mudou sua senha, seu tonto.

  A lembran?a do humano cruzou sua mente como um estalo tardio. O maxilar se travou.

  — Onde está Koran?! — ele gritou, a voz cheia de raiva e desespero contido.

  — Calma, docinho. Ele está seguro... por enquanto.

  — Me solta, sua—

  Ela enfiou a m?o nos fios expostos de seu ombro, girando-os cruelmente. Seu corpo estremeceu com as falhas do sistema, faíscas voando em todas as dire??es.

  — “Sua” o quê, hein? N?o escutei direito.

  — Pa-para! — Drax gritou, e um impulso de energia fez a m?o dela queimar.

  Ela recuou, observando a pele derretida se desprender... e ent?o regenerar como se trocasse de invólucro. A verdade era revelada — ela era uma androide.

  — Ah, o seu amor ainda é t?o... quente — disse, tocando o queixo de Drax com carinho perturbador.

  Ele desviou o rosto, enojado.

  — Seu outro amiguinho conseguiu escapar… por enquanto.

  Ela sorriu.

  — Eu vou achá-lo.

  Ela segurou o queixo de Drax com for?a.

  — Até mesmo... se eu tiver que torturar o Koran na sua frente, pode ser?

  — Espero que você tenha entendido — murmurou, passando os dedos pela bochecha dele, de forma quase carinhosa. — Eu sei que você ainda me ama, meu amor.

  Drax cerrava os olhos, o ódio pulsando como um tambor surdo em sua cabe?a.

  — Você vai me pagar...

  Soffy riu, seu sorriso torto e perturbador iluminado pelas luzes intermitentes.

  — é o que vamos ver...

  Ela se virou, os passos ecoando metálicos enquanto desaparecia na escurid?o da sala.

  Drax fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, a raiva n?o havia diminuído — havia se concentrado.

  A luz fraca refletiu em seus olhos como brasas prestes a incendiar o mundo.

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